Há momentos, breves uns, demorados alguns,
marcados pela experiência do silêncio de Deus,
cujos ouvidos parecem moucos para gritos roucos
que certamente não perpassam os umbrais os céus.Há tempos, duros demais, tristes demais,
em que a justiça simplesmente não é ministrada
tão lenta, tão desigual, tão debochada.Há dias, em formato de noite que não termina,
em que no corpo moído a fé não mais germina,
posto à deriva, enquanto aguarda o fim da jornada.Até que os fios da memória tecem a lembrança
de que o sentimento de agora é repetição.
Move-se o cordeiro, como o mostrado a Abraão,
para provar que na boa hora vem a libertação.Nesta quadra iluminada, atenta, a alma descansa.
Desfeita a névoa, logo os olhos voltarão a brilhar;
a voz, antes calada pelas lágrimas, voltará a cantar,
na certeza que Deus é mesmo de conosco se importar.




